Céu e inferno com mescalina
O texto a seguir foi publicado originalmente na edição número 7 da Psychedelic Review, em 1965.
É um relato muito interessante pelo fato do autor ser uma autoridade em tradições de meditação oriental. Não que seja preciso erudição para se ter boas sessões, mas a capacidade de extrair significado (e aplicá-lo na vida) muitas vezes determina o benefício ou não da experiência.
Para comunicar os insights, a boa articulação verbal também acaba sendo fundamental. Além disso, o texto é excepcional também por conter tanto uma bad trip do tipo "tormento dos infernos" quanto uma epifania não-dual.
Sobre o autor
John Blofeld (1913 — 1987) foi um viajante e escritor inglês especializado em religiões orientais. Viveu na China pré-Mao e explorou países na época desconhecidos ao mundo ocidental como Mongólia e Tibete. Escreveu diversos livros sobre budismo (tântrico, chan, zen) e taoísmo. Também foi um devotado praticante do budismo vajrayana, tendo estudado com os maiores mestres da época (como Dudjom Rinpoche e Dodrupchen Rinpoche).
Profunda experiência yógica alcançada com mescalina
John Blofeld
Antes da experiência aqui descrita, eu havia alimentado algumas dúvidas sobre os argumentos de Aldous Huxley e outros, que indicavam que a mescalina pode induzir experiências yógicas de alta magnitude. A experiência aconteceu em 25 de maio de 1964 (Visaka Puja*), na minha casa em Bangkok, sob a supervisão do sr. Jonathan Stoker, que já tinha experiência anterior (direta e como observador) com os efeitos da mescalina.
Às 9:50 a.m., tomei meia dose (0,25 gr). Por algum tempo não houve nenhum efeito relevante — nada além de uma percepção mais profunda de cores e formas, como exemplificado pela vividez dos padrões nas minhas pálpebras quando fechava os olhos após observar pelas frestas de uma veneziana. Às 10:40, um desconfortável estado de tensão mental me surpreendeu. Me encontrei envolvido em uma luta para segurar meu "eu", que parecia estar em processo de desintegração. Esse efeito esquizofrênico foi acompanhado de uma sensação de frio (embora a temperatura na sala devesse estar em torno de 32º C) e por uma crescente letargia que desencorajava a menor ação. Após um tempo, esses sintomas desagradáveis reduziram e fui capaz de curtir a percepção do que estava acontecendo comigo.
Às 11:10 a.m., tomei a segunda meia dose (0,25 gr). Cores e formas em mudança dançavam sob minhas pálpebras fechadas. Alguns desses eram padrões muito intrincados, como os que adornam certas partes de construções sagradas — mesquitas, templos etc — ou objetos sagrados de vários tipos. Esses padrões elaborados eram abstrações, florais etc. Figuras de deidades, humanos ou animais não tinham parte nisso. Reconheci cada um pelo que eram — islâmicos, tibetanos, indianos, siameses — mas agora, pela primeira vez, os via não como decorações arbitrárias, mas como profundamente significativos. Senti que, apesar de pertencerem a tradições amplamente diversas, eram todos igualmente "válidos" e todos derivavam de uma única fonte.
Nesse momento, tentei visualizar a mandala tibetana das Deidades Pacíficas, mas tive sucesso apenas em trazer alguns demônios de aparência metálica. Embora estivessem longe de ser assustadores — e nem ao menos vívidos ou realistas (sendo algo intermediário entre estátuas de metal e seres vivos) — eles me indicaram (meio com zombaria) que esperar uma profunda experiência religiosa como consequência de ingerir mescalina era muita presunção.
Logo depois disso, a sensação de a personalidade estar rapidamente se fragmentando voltou a mim com força assustadora. Fiquei alarmado pela minha sanidade e teria corrido para tomar um antídoto contra a mescalina caso houvesse algum disponível. Embora J.S. tenha me persuadido a comer um pouco do almoço, eu não estava em condições de aproveitar isso. A essa altura, as coisas vistas e ouvidas se apresentavam como experiências visuais e auditivas sem nenhum observador ou escutador para relacioná-las com um daqueles conceitos únicos que, em qualquer dado momento, formam o conteúdo da consciência normal. A comida desceu pela minha garganta como sempre, mas ela parecia desaparecer em um receptáculo conectado comigo apenas no sentido de que estava muito perto para ser visível. O estresse mental se tornou agonizante. Meu medo de uma loucura permanente aumentou e sofri especialmente com o sentimento de não ter nenhum eu interno ou centro da consciência para onde me abrigar da tensão e descansar.
Um desconforto adicional era a sensação de luzes fortes brilhando de vez em quando atrás de mim, como se houvesse alguém ali de pé piscando uma lanterna. Os movimentos de meu empregado, que veio diversas vezes com pratos de comida, doces e café, causaram grande incômodo. Sempre que saía de vista, sentia que ele poderia estar atrás de mim com algum propósito vagamente sinistro; e já que ele não sabia nada sobre a experiência, tive medo que ele pensasse que eu estava louco. Sem dúvida, qualquer presença não convidada teria me deixado igualmente incomodado e desconfiado — embora não sentisse qualquer irritação com a companhia de J.S., porque ele "sabia" e eu tinha a necessidade de um enfermeiro ou guarda.
Nenhuma palavra pode descrever o chocante tormento mental que continuou por mais de uma hora. Todos os meus órgãos e experiências sensoriais pareciam ser unidades separadas. Não sobrou absolutamente nada para mim, exceto um tipo de sofredor desencarnado, consciente de estar louco e arruinado por uma tensão sem precedentes. Parecia não haver esperança de escapar dessa tortura — certamente por muitas horas, talvez para sempre. O próprio inferno dificilmente seria mais terrível.
Por volta de 13:00, me arrastei para o quarto, me fechei para todos como um animal doente e caí na cama.
No meu limite, de repente me rendi totalmente e chamei por meu Yidam**. Venha a loucura ou morte ou o que quer que seja, vou aceitar sem reservas, desde que possa me libertar da tensão. Pela primeira vez na minha vida, parei de me apegar — me apegar ao eu, às pessoas amadas, sanidade, loucura, vida ou morte. Minha renúncia de mim mesmo e meus componentes foi tão completa que constituiu um ato de confiança imaculada em meu Yidam.
Em um instante, meu estado foi completamente transformado. Do tormento infernal, fui arremessado no êxtase — um êxtase ultrapassando infinitamente qualquer coisa que possa ser descrita ou qualquer coisa que já imaginei a partir do que os místicos mais realizados do mundo se esforçaram para descrever. De repente, ali amanheceu a consciência completa de três grandes verdades que há tempos tinha aceitado intelectualmente, mas que nunca, até aquele momento, tinha vivenciado como sendo algo completamente auto-evidente. Agora elas explodiram em mim, não apenas como convicções intelectuais, mas como experiências não menos vívidas e tangíveis do que calor e luz são para um homem cercado de perto por um incêndio florestal.
1. Havia consciência de uma unidade não-diferenciada, abraçando a identidade perfeita de sujeito e objeto, de singularidade e pluralidade, do Um e de Muitos. Assim encontrei a mim mesmo (se palavras como "eu" ou "mim" tivessem algum significado em tal contexto), ao mesmo tempo a platéia, os atores e o texto! Logicamente, o Um pode dar nascimento aos Muitos, e os Muitos podem se fundir com o Um, ou serem fundamentalmente, mas não aparentemente, idênticos a ele — eles não podem ser em todos os aspectos um e muitos simultaneamente. Mas agora a lógica foi transcendida. Eu contemplei (e era) uma massa rotatória de cores e formas brilhantes que, sendo muitas cores e muitas formas, eram diferentes umas das outras — e que também eram as mesmas no mesmo momento em que eram diferentes! Duvido que essa declaração possa aparentar sentido em um nível ordinário de consciência. Não é de surpreender que os místicos de todas as tradições ensinam que a compreensão vem apenas quando a lógica e o intelecto são transcendidos! Em todo caso, essa verdade — mesmo que em um nível ordinário de consciência não possa ser compreendida — pode em um estado mais elevado ser diretamente vivenciada como auto-evidente. A lógica também treme ao tentar explicar como pude ao mesmo tempo perceber e ser aquelas cores e formas: como o observador, a visão e o objeto — o que sente, o sentimento e o sentido — puderam todos ser um. Mas, para mim, tudo isso era tão claramente auto-evidente como sugerem as palavras "inocentemente simples"!.
2. Simultaneamente, havia consciência de um êxtase impronunciável, casado com a convicção de que isso era o único estado de ser real e eterno, todo o restante (incluindo toda nossa experiência no mundo do dia-a-dia) sendo não mais que sonhos transitórios. Essa glória, estou convencido, aguarda todos os seres quando os últimos vestígios de seus egos forem destruídos — ou neste caso, temporariamente descartados. Foi tão intenso que fez parecer que corpo e mente iriam ser pulverizados em um relâmpago (embora o estado de êxtase tenha continuado pelo que mais tarde percebi sendo três ou quatro horas, reemergi dele ileso).
3. Ao mesmo tempo, veio a consciência de que tudo o que está dentro do conceito budista de "dharmas", especificamente que todas as coisas — tanto objetos de percepção mental quanto sensorial — são todas vazias de existência própria, sendo apenas meras combinações transitórias de um número infinito de impulsos (como impulsos elétricos). Isso era tão completamente visível como são os tijolos para alguém olhando para uma parede não cimentada. Na verdade, vivenciei o momentâneo nascimento de cada impulso e o arrepio da culminância em que ele imediatamente deixa de ser.
Vou agora tentar descrever toda a experiência em termos de percepção sensorial, embora temendo que isso vá obscurecer em vez de clarear o que já foi dito. Isso porque o conteúdo da minha experiência — sendo supra-sensorial e supra-intelectual — dificilmente seria compreensível usando os termos criados originalmente para descrever o conteúdo mental e físico da percepção ordinária.
A realidade, me parece em retrospecto, pode ser vista como um "plasma" sem nenhuma cor ou forma intrínsecas, mas que é, contudo, a "essência" de todas as cores e formas. Altamente carregada com consciência vívida, energia e êxtase, ela está entretida em um jogo eterno. Ou poderia ser vista não como plasma mas como uma sucessão infinita de miríades de impulsos simultâneos, cada um surgindo como uma onda, se erguendo e se dissolvendo no êxtase dentro de cada instante. As cores e formas giratórias produzem certos efeitos que lembram clarões de rara beleza, vista em imagens, sonhos ou no mundo da consciência cotidiana normal — pode ser deduzido que isso na verdade são pálidos reflexos dessa beleza eterna (lembro de reconhecer um sorriso muito amado, um marcante gesto de beleza incomum etc, embora não tenha percebido nenhum lábio sorrindo, nenhum braço se movendo. Foi como se eu testemunhasse e reconhecesse a duradoura qualidade abstrata a que tais gestos e sorrisos transitórios devem seu charme).
De novo, a Realidade pode ser vista como um deus dançando com vigor maravilhoso, brincalhão, cada movimento seu produzindo ondas de êxtase. De tempos em tempos, ele faz movimentos de apunhalar com uma faca curva. A cada golpe, o êxtase se intensifica (lembro que a faca em movimento me fez gritar alto: "É isso! Isso mesmo! Sim, sim, SIM!!!").
Ou então a Realidade pode ser vista como uma massa giratória de luzes, cores brilhantes, movimento e alegria, casada com glória impronunciável. Aqueles que vivenciam isso não tem como evitar as gargalhadas em lágrimas de "Sim, sim, SIM! Ha ha ha! É assim que é! Claro, é óbvio!" (senti que, após muitos anos de busca ansiosa por respostas para alguns problemas momentâneos, de repente me deparei com uma solução tão completamente satisfatória e tão inteiramente simples que precisei estourar de rir. Estava consciente da alegria imensa e do maravilhamento incrédulo diante de minha própria estupidez em demorar tanto tempo para descobrir a simples verdade).
Dentro desse "jogo do universo", há um infinito dar e receber — embora doador, oferenda e receptor sejam obviamente o mesmo. É como se duas deidades (que por sinal são uma) estivessem laçadas em um abraço extático, dando e recebendo no abandono da adoração (as representações Yab-Yum*** de deidades tibetanas apontam para isso. Os artistas que as pintam precisam ser perdoados por sua inabilidade em indicar que doador e receptor são não apenas um mas também não têm forma. Contudo, realmente, alguns conseguem sugerir a unidade fundindo tão bem às figuras que a parte Yum não é vista a menos que a pintura seja examinada prolongadamente e com cuidado).
Durante a experiência, eu era idêntico ao doador, receptor e o incrível êxtase dado e recebido. Não há nada de sexual nessa união. Ela é sem forma, a glória permeia tudo, doador e receptor — dando, recebendo — não são dois, mas um. É apenas na tentativa de transmitir a experiência que as imagens de êxtase sexual se insinuam, talvez se aproximando mais do que outras imagens da ideia de união em êxtase, em que dois são um.
Algumas das conclusões que tirei de toda a experiência vêm a seguir:
a. Medo e ansiedade em relação ao nosso destino último são tormentos auto-infligidos e desnecessários. Ao quebrar vigorosamente às estruturas cármicas que fazem surgir a ilusão de um ego e da separação individual, chegamos mais rápido ao momento em que a Realidade é revelada e todos os obstáculos à glória extática são removidos — a menos que, como Bodhisattvas, compassivamente prolonguemos nosso vagar pelo Samsara para guiar outros seres a esse objetivo.
b. O mundo à nossa volta — frequentemente acinzentado — é produto de nossa própria visão distorcida, de nossa consciência-ego e apego ao ego. Ao jogar de lado nossos egos junto com seus anseios, desejos, qualidades e propriedades que pertencem a eles, podemos destruir completamente esses egos ilusórios que — sozinhos — nos bloqueiam para a glória extática da consciência universal. A chave é a renúncia total, mas isso não pode ser alcançado apenas com força de vontade porque cada um de nós está coberto por uma dura casca de tendências cármicas, fruto de muitas, muitas vidas desperdiçadas. As três fogueiras do desejo, paixão e ignorância são difíceis de apagar — mas ainda assim poderiam ser varridas em um instante caso executássemos e mantivéssemos um ato de renúncia total. Tal ato não pode resultar de esforço ou anseio, porque isso envolveria nossos egos e na verdade iria fortalecê-los. Então, no último estágio, mesmo esforço e anseio pelo Nirvana devem ser abandonados junto com tudo mais. Essa é uma verdade difícil de compreender.
c. A experiência de Buda indica que, quando a Iluminação (isto é, consciência plena daquela Realidade gloriosa cujos atributos incluem sabedoria, compaixão, luz, beleza, energia e alegria inconcebíveis) é obtida nesta vida, é possível continuar com as responsabilidades humanas, se comportando como exigido, respondendo às circunstâncias assim que elas surgem e, mesmo assim, estar livre de todas elas. Então é como um ator talentoso que, fazendo o Romeu, derrama lágrimas verdadeiras; quando seu pesar por Julieta ameaça inundá-lo, ele consegue sair internamente de seu papel pelo tempo suficiente para relembrar a irrealidade de Julieta e sua morte, e ainda assim continuar com a mesma fina atuação de antes.
d. Um único vislumbre do que vi deve ser suficiente para trazer afeição ilimitada por todos os seres vivos; porque, independente de quão feios, mal-cheirosos ou estressados possam parecer, só o que é real neles é aquela brilhante consciência em êxtase glorioso, que formou o centro da minha experiência. Ódio, inimizade, desdém, aversão por qualquer ser que compartilhe aquela Consciência (ou seja, absolutamente qualquer ser) seria uma blasfêmia para alguém que viu o próprio processo de ser.
Poderia ser feita a objeção de que minha descrição da experiência lembra demais o imaginário Vajrayana e que o que percebi não foi absolutamente a Realidade, mas uma mera ilusão subjetiva baseada no conteúdo de meus estudos e práticas. A resposta a essa objeção é que, como Aldous Huxley trouxe tão bem em sua "Filosofia Perene", em todas as épocas e países, todos que passaram por uma profunda experiência mística — mesmo que na essência o conteúdo seja aparentemente o mesmo para todos os casos — todos foram compelidos a cair de volta no imaginário de seus companheiros de religião ou do público a que se dirigem. A experiência em si é tão diferente de tudo o que nos é conhecido em um estado ordinário de consciência que não há palavras para descrevê-la. Ainda assim, enquanto minha própria experiência confirma totalmente tudo que meus mestres Vajrayana me ensinaram, ela foi muito diferente da minha compreensão anterior desses ensinamentos para que pudesse ser uma ilusão subjetiva baseada neles.
Sobre como é possível uma dose de mescalina tornar tal experiência possível para alguém que ainda não a realizou com a prática profunda e prolongada de meditação yógica, simplesmente não sei. O modo como explico para me satisfazer é que o efeito da mescalina é liberar temporariamente a consciência dos obstáculos à realização verdadeira da unidade universal, normalmente impostos pela estrutura cármica que cada um de nós toma como sendo sua própria "identidade individual".
Acredito que psicólogos da escola de C.G. Jung não teriam dificuldade em expressar essa ideia em termos mais aceitáveis cientificamente. Na verdade, se algum deles por acaso ler este artigo, eu ficaria grato a quem puder elucidar minha experiência com mescalina em termos científicos, para aqueles despreparados para aceitar minha explicação mística e talvez semi-religiosa de seu conteúdo.
* Visaka Puja [nota do tradutor]: também chamado de Vesak, é a data em que se comemora o nascimento, iluminação e morte de Buda.
** Yidam [nota do próprio autor]: No [Budismo] Vajrayana, é ensinado que todas as "deidades" — e consequentemente o próprio Yidam ("deidade que habita internamente") de alguém — são produtos da sua própria consciência; e que, quando a consciência está desimpedida pelas crostas cármicas deixadas pelas experiências sensoriais de uma longa sucessão de vidas, ela é claramente percebida não como uma propriedade do indivíduo, mas como algo comum a todos os seres — como a única realidade de todo o universo (C.G. Jung e William James têm conclusões que parecem tender a essa direção). Então a salvação através do "poder interno" e do "poder externo" (Deus, deidades etc) na verdade são idênticas. Assim, uma rendição total de qualquer vestígio do eu pode ter a forma de uma rendição ao que está "dentro" (como no Zen, por exemplo) ou ao que está "fora" (como no Animismo etc). O Yidam — ou "deidade interna", que é um sinônimo da "Natureza Original" do Zen (e talvez do Espírito Santo dos cristãos) — é um conceito que, para mim, inclui admiravelmente tanto o interior quanto o exterior: como uma Identidade além do "eu", está além de qualquer categoria dualista; mas encarada como o "você" ou "eu" real, está do lado de "dentro"; e, vista como "universal", está de certa maneira "fora" do indivíduo.
*** Yab-Yum [nota do tradutor]: deidades budistas em união sexual.
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Comentários
Muito interessante! Após a leitura, pensei exatamente o quanto de subjetividade não poderia ter influencidado a experiência. A explicação do autor é bastante razoável, mas creio que insuficiente para quem crê que a constituição do nosso ego é inseparável do contexto em que ele se insere e que para fora desse ego só poderia haver a dissolução do eu, ou seja, o nada para o ser-aí. De qualquer forma, o autor fez uma boa reflexão e, ao meu ver, bastante válida em função de um tema quase que completamente desconhecido para a maioria dos mortais.
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